

O varejo brasileiro iniciou 2026 com crescimento moderado, ao mesmo tempo em que o comércio eletrônico mantém ritmo elevado e reforça a liderança das grandes plataformas digitais. Os dados mais recentes indicam um cenário de consumo mais seletivo, com avanço concentrado no varejo físico e consolidação do mobile como principal canal de acesso no ambiente online.
De acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), o mercado registrou alta de 1,3% em janeiro de 2026 na comparação anual. O principal motor do resultado foi o varejo físico, que cresceu 2,1% no período. Em sentido oposto, o e-commerce apresentou retração de 1,5% no mês.
O desempenho por macrossetores revela um cenário heterogêneo. O segmento de Bens Não Duráveis avançou 0,7%, enquanto Serviços recuaram 3,9% e Bens Duráveis e Semiduráveis registraram queda de 5,4%. O resultado indica maior cautela do consumidor, especialmente em compras de maior valor agregado e serviços.
Apesar da retração pontual registrada em janeiro, o comércio eletrônico brasileiro segue em trajetória de consolidação em 2025, mantendo volume elevado de acessos nos últimos 12 meses. O ambiente digital continua altamente concentrado nas grandes plataformas, que ampliam participação de mercado e fortalecem suas estratégias de fidelização.
No ranking de audiência, o Mercado Livre lidera o e-commerce nacional, com cerca de 16% de participação. Em seguida aparece a Shopee, com aproximadamente 12,5%, e a Amazon Brasil, que ocupa a terceira posição, com 9,7% da audiência total.
As dez maiores plataformas concentram mais da metade dos acessos do comércio eletrônico no país, evidenciando um mercado competitivo e dominado por grandes players. No ambiente de aplicativos, a liderança é ainda mais acentuada: a Shopee responde por cerca de 40% do tráfego mobile, consolidando o aplicativo como um dos principais pontos de entrada do consumidor digital.
A migração do consumo para dispositivos móveis se confirma como tendência estrutural. Em 2025, o mobile já representa a maior parte das interações no e-commerce brasileiro. Plataformas que investem em experiência de navegação, logística eficiente e estratégias de recorrência via aplicativo seguem registrando melhor desempenho.
No recorte setorial, moda, esportes e beleza continuam acima da média de crescimento, impulsionados por campanhas promocionais e maior engajamento digital. Já segmentos como turismo apresentam maior volatilidade, refletindo sazonalidade e mudanças no planejamento de viagens.
O cenário combina avanço moderado do varejo tradicional com consolidação do comércio eletrônico via aplicativos. Em um ambiente de maior cautela do consumidor, empresas do setor intensificam estratégias para equilibrar presença física, operação digital e eficiência logística, em busca de competitividade e relevância no mercado nacional.



