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Tempo para pagar a rescisão: prazos, riscos e como evitar multas trabalhistas

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Tempo para pagar a rescisão: prazos, riscos e como evitar multas trabalhistas
Criado em 07 NOV. 2025
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Todo empresário sabe que o desligamento de um colaborador exige atenção e agilidade.
Cumprir corretamente o tempo para pagar a rescisão não é apenas uma exigência legal — é também uma forma de evitar multas, ações trabalhistas e danos à reputação da empresa.

Mesmo assim, muitos empregadores ainda cometem erros simples, como calcular mal o prazo ou atrasar o pagamento das verbas devidas.
Neste artigo, você entenderá qual é o prazo legal para pagamento da rescisão, o que deve ser quitado e como estruturar processos internos para manter sua empresa sempre em conformidade com a CLT.

O que é o pagamento da rescisão e por que ele é tão importante

O pagamento da rescisão representa a quitação final do vínculo empregatício entre empresa e colaborador.
Além de encerrar formalmente a relação de trabalho, é o momento em que o empregador deve pagar todas as verbas devidas — como salário, férias e 13º proporcional — de acordo com o tipo de desligamento.

Quando esse prazo não é respeitado, a empresa passa a correr o risco de multa automática prevista na CLT e reclamações judiciais por parte do ex-funcionário.

Qual é o prazo para pagar a rescisão segundo a CLT

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é clara: o empregador tem até 10 dias corridos após o término do contrato de trabalho para efetuar o pagamento da rescisão, independentemente do tipo de desligamento.

Essa regra está prevista no artigo 477 da CLT, que também estabelece que o prazo começa a contar a partir do último dia trabalhado ou do término do aviso prévio.

Em resumo:

  • Prazo total: até 10 dias corridos após o fim do contrato;

  • Abrangência: todas as modalidades (sem justa causa, justa causa, pedido de demissão, término de contrato).

Como o prazo varia de acordo com o tipo de rescisão

Embora o prazo de 10 dias seja padrão, o ponto de partida para a contagem muda conforme o tipo de desligamento.

Demissão sem aviso prévio

O prazo começa a contar no dia da dispensa, e a empresa deve quitar as verbas até o 10º dia subsequente.

Aviso prévio trabalhado

O prazo é contado a partir do último dia de trabalho.
O ideal é planejar o pagamento para coincidir com o encerramento do aviso, evitando atrasos.

Pedido de demissão

O mesmo prazo de 10 dias corridos se aplica, mas sem multa de 40% sobre o FGTS nem liberação do saque.

Rescisão por justa causa

Mesmo nesses casos, o empregador deve respeitar o prazo de 10 dias, pagando as verbas devidas (saldo de salário, férias vencidas etc.).

Quais verbas devem ser pagas na rescisão

O prazo de 10 dias abrange o pagamento de todas as verbas trabalhistas pendentes. Entre as principais:

  • Saldo de salário (dias trabalhados no mês);

  • Férias vencidas e proporcionais, com adicional de 1/3;

  • 13º salário proporcional;

  • Horas extras e adicionais pendentes;

  • Aviso prévio indenizado (se aplicável);

  • Multa de 40% do FGTS, nos casos de demissão sem justa causa.

A clareza no cálculo evita impugnações e reforça a imagem de uma empresa que age com transparência e boa-fé.

O que acontece se o prazo não for cumprido

O descumprimento do prazo legal acarreta multa automática equivalente a um salário mensal do empregado, conforme o artigo 477, §8º da CLT.
Essa multa deve ser paga diretamente ao trabalhador prejudicado.

Além disso, o atraso pode gerar:

  • Fiscalização do Ministério do Trabalho;

  • Ações trabalhistas com condenações adicionais;

  • Juros, correção monetária e danos morais em casos reincidentes.

💡 Dica prática: automatize alertas internos no seu sistema de RH para controlar prazos e garantir que nenhum pagamento seja esquecido.

Como calcular corretamente o pagamento da rescisão

Um erro comum é calcular apenas o salário e esquecer verbas proporcionais.
Veja um exemplo:

Um colaborador com salário de R$ 3.000,00, demitido após 8 meses de trabalho, deve receber:

  • Saldo de salário: R$ 1.000 (10 dias trabalhados);

  • Férias proporcionais: R$ 2.000 (8/12 de 30 dias + 1/3);

  • 13º proporcional: R$ 2.000 (8/12 do salário);

  • Multa do FGTS (40%) sobre o total depositado.

Total estimado: R$ 5.000,00, mais eventuais adicionais.

Uma planilha automatizada ou um software jurídico pode ajudar o RH a evitar falhas e inconsistências.

Como evitar atrasos e passivos trabalhistas

O segredo está na organização e na prevenção.
Empresas que possuem processos claros de desligamento dificilmente são autuadas.

Boas práticas recomendadas:

  1. Planeje o desligamento com antecedência;

  2. Gere o termo de rescisão no eSocial imediatamente;

  3. Confirme depósitos de FGTS e INSS antes da rescisão;

  4. Faça o cálculo das verbas em conjunto com o contador;

  5. Entregue todos os documentos (TRCT, guias e comprovantes) dentro do prazo.

Essas medidas simples reforçam a compliance trabalhista e transmitem segurança ao colaborador.

Diferença entre o prazo atual e o anterior à Reforma Trabalhista

Antes da Reforma Trabalhista de 2017, os prazos variavam conforme o tipo de demissão — de 1 a 10 dias.
Com a reforma, o prazo foi padronizado em 10 dias corridos para todos os casos, simplificando o procedimento e reduzindo dúvidas.

Para o empresário, isso significa menos burocracia e mais previsibilidade na gestão de desligamentos.

E se o funcionário não comparecer para assinar?

Se o ex-colaborador não comparecer para assinar a rescisão, a empresa deve registrar a tentativa formal de comunicação e manter o valor disponível dentro do prazo.
Essa comprovação protege o empregador contra acusações de atraso.

Um e-mail, carta registrada ou protocolo assinado já são suficientes como prova de boa-fé.

Como o empresário pode se proteger juridicamente

Além de cumprir prazos e valores, o empresário pode adotar medidas preventivas:

  • Registrar todas as comunicações de desligamento;

  • Assinar o termo de quitação com testemunhas;

  • Guardar comprovantes bancários de pagamento;

  • Buscar orientação de um advogado trabalhista antes de efetuar desligamentos complexos.

A orientação preventiva é o melhor investimento para reduzir o risco de ações judiciais e autuações administrativas.

FAQ – Dúvidas comuns sobre o tempo para pagar rescisão

1. Qual o prazo máximo para pagar a rescisão?
Até 10 dias corridos após o término do contrato.

2. E se o último dia cair em feriado ou fim de semana?
O pagamento deve ser antecipado para o dia útil anterior.

3. O prazo é o mesmo para pedido de demissão?
Sim. A regra vale para todas as modalidades de rescisão.

4. O que acontece se a empresa pagar fora do prazo?
Aplica-se multa de um salário do colaborador, além de juros e correção.

5. O trabalhador pode entrar na Justiça por atraso?
Sim, e o empregador pode ser condenado a indenizar.

6. Como evitar erros de cálculo?
Use planilhas automatizadas ou conte com um contador especializado.

7. Preciso homologar a rescisão no sindicato?
Não é mais obrigatório, mas ainda é recomendado para segurança documental.

Conclusão: cumprir o prazo de rescisão é proteger sua empresa

Cumprir o tempo para pagar a rescisão não é apenas uma formalidade — é uma obrigação legal e estratégica.
Empresas que mantêm processos de desligamento bem estruturados evitam multas, litígios e desgastes de imagem.

A rescisão é o último contato com o colaborador e deve refletir o profissionalismo da empresa.
Cumprir prazos, calcular corretamente e manter transparência são atitudes que constroem reputação e confiança no mercado.

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Luiz Armando Carneiro Veras
Sou Luiz Armando Carneiro, advogado trabalhista e sócio do Carneiro Advogados Associados. Ajudo trabalhadores e empresas a resolverem conflitos trabalhistas com segurança e resultados práticos. Produzo conteúdos jurídicos acessíveis que transformam dúvidas em soluções e fortalecem a confiança entre cliente e advogado. Meu propósito é simplificar o Direito e oferecer orientação clara e eficiente.favorite_outline Seguir Perfil
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