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Mudanças políticas-econômicas e o impacto no varejo

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Mudanças políticas-econômicas e o impacto no varejo
2 pessoas curtiram esse artigo
Criado em 23 FEV. 2023
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Para ilustrar as mudanças do varejo no ano de 2023 e as características desse mercado, entrevistamos Osmar Dalquano Junior, empresário, propritério de duas empresas de Consultoria, uma delas credenciada ao Sebrae/PR. Além disso, Osmar é Palestrante Nacional.

Confira a transcrição completa da entrevista e acompanhe outros conteúdos da comunidade de varejo.


1. Você pode nos contar um pouco mais sobre as perspectivas do mercado de varejo para o ano de 2023?


Osmar Dalquano Junior (O): Então vamos lá. Existem algumas previsões sendo realizadas por especialistas, economistas e alguns empresários sobre o movimento econômico do mercado, tanto no Brasil quanto a nível global. Este ano pode ser considerado como um ano de retomada econômica.


Estamos acompanhando uma economia que foi muito impactada por diversos movimentos globais, pela pandemia da Covid-19, guerras, o processo eleitoral brasileiro conturbado, a presença de inflação no mercado americano, dentre outros. 


O mercado de varejo é muito dependente de fornecedores, o que torna esse mercado vulnerável às crises político-econômicas. Ainda existem muitas dúvidas e inseguranças, tanto por parte dos empresários quanto dos consumidores, em acreditar nessa retomada de mercado.


Podemos dizer que esse é um processo muito lento de construção. Ainda é cedo para falar sobre o movimento político no Brasil. De minha parte e análise técnica, existe um otimismo quanto a esse movimento de crescimento econômico. Mas, reforço que as as intempéries internacionais, de certa forma, afetam essa essa construção. 


Então, como impacto imediato hoje no Brasil - olhando para o lado mais do empresário - tem se falado muito sobre o preço dos produtos. O que que isso quer dizer? Quer dizer que o consumidor vai continuar comprando, mas o seu olhar se voltará para produtos populares, de massa, baratos e que acompanham promoções.


A busca é dar valor ao seu dinheiro, mas continuar consumindo. Em uma visão empresarial, eu diria que seria uma grande estratégia trabalhar com pacotes de produtos e serviços, combos e promoções


A estratégia, nesse primeiro momento, deve ser pensada com muita sensatez e pensando no olhar cauteloso do consumidor - que buscará produtos de fácil acesso e baratos. Nós saímos de um movimento muito forte de digitalização e estamos voltando para o movimento físico, prevalecendo uma dinâmica híbrida entre físico e digital. É importante o empresário entender que ele precisa continuar presente nesses canais digitais e físicos, a fim de facilitar o consumo.


2. Como o empreendedor pode aproveitar as tendências de consumo?


(O): Temos visto hoje em estudos sobre as tendências de consumo - vou dar um exemplo do Euromonitor -, que acompanham essa mudança de comportamento do consumidor. Eles indicam que as pessoas estão muito mais interessadas em sensações.


O que eu quero dizer com isso? O consumidor, vai valorizar muito mais a marca e o produto que possibilite para ele acesso a momentos de bem estar. Ou seja, lojas, empreendimentos e serviços que tragam surpresas agradáveis ao seu público serão mais valorizadas.


Tenho falado muito em minhas consultorias que as lojas e empresas precisam pensar muito e rever a jornada de consumo de seus clientes. Saber como ele chega até sua loja, como ele consome o seu produto e como ele sai de sua loja, para entender, de fato, os valores de entrega da sua marca. Quando eu falo em valores, não é somente o produto ou pelo que ele compra, mas todo o processo de contato entre seu cliente e sua marca. 


Dando um exemplo pessoal, há algum tempo atrás precisei contratar um serviço de funilaria para o meu automóvel, obviamente busquei no Google Maps uma empresa de serviços que estivesse localizado perto de onde moro. Na mesma plataforma acessei o que os clientes falavam sobre aquele negócio. 


Analise comigo, primeiramente dei prioridade a quem estava próximo de mim - isso marca uma forte tendência do consumo, valorizar o que está próximo e é de fácil acesso. A segunda coisa que fiz foi buscar o que outros consumidores falaram sobre aquele estabelecimento.


Busquei as recomendações e as li, tudo isso para entender se a qualidade do serviço daquele estabelecimento era bacana, importante e boa o suficiente para confiar naquele serviço. Penso que se acontece comigo, ocorre com a maioria.


Portanto, como você melhora esse contato com seu potencial cliente? Criando movimentos para ele, divulgando informação, criando eventos, fazendo o que o seu movimento de marketing seja forte o suficiente para comunicar sobre sua existência, principalmente às pessoas ao seu redor.


Hoje temos um consumidor "educado digitalmente, que começa a entender como usar as informações disponíveis sobre determinado serviço a seu favor.


Estamos voltados hoje a entender o nível de entrega e qualidade que os empreendimentos oferecem aos seus clientes. Entender que ao consumir, seu cliente está informado e vai querer saber se aquele produto é o produto que ele precisa, se ele terá garantias da qualidade de entrega.


É essencial que o empresário saiba monitorar, acompanhar e criar avaliações que estejam acessíveis aos seus consumidores. E, principalmente, se isso acompanha as expectativas do mercado. Demonstrar seu diferencial competitivo é cada vez mais importante.


Além de vender, pense se você está muito bem qualificado por quem consome seu produto. Outra questão importante é a forma como seu cliente percebe sua marca, para que possa decidir É lá que eu quero gastar meu dinheiro.


3. O Brasil sempre manteve a tradicionalidade no mercado de varejo, com a pandemia esse cenário mudou e o mercado começou a adotar mecanismos digitais para otimizar as vendas e os processos. Prova disso é a crescente expansão de Marketplaces no país. Sendo assim, como a expansão digital ainda pode modificar o varejo brasileiro nos próximos anos? 


(O): Acredito que a expansão digital está modificando o varejo há algum tempo, sim. Ela já está num processo de amadurecimento dentro da estratégia desse mercado. O que quero dizer com isso? Estamos repensando a forma como consumimos - e a pandemia acelerou ainda mais esse processo no Brasil.


Temos hoje uma massa de consumidores que antes não utilizavam o meio digital para consumo, ou utilizavam muito pouco. O que nós vamos perceber daqui para frente é um nível de maturidade cada vez maior no mercado brasileiro. Ele vai crescer mais. Cada nova geração que ingressa no mercado de trabalho e adquire renda, aumenta o volume de consumo - tanto físico, como digital - e isso vai se retratar no processo econômico brasileiro. 


As empresas, de certa forma, estão se adaptando e entendendo a importância de se relacionar através de um mensageiro. Hoje no Brasil o mensageiro mais famoso é o WhatsApp, configurando no Brasil a possibilidade de se tornar um Super App.


O termo Super App vem de uma estratégia muito consolidada da China e que caracteriza uma plataforma que concentra tudo, desde relacionamento, informação, mídia até o consumo, tudo dentro de uma só plataforma. Esse processo também vai modificar a forma de consumir, comprar e vender. 


As empresas estão começando a entender a força das plataformas digitais para se relacionar com os clientes e vender cada vez melhor, de forma cada vez mais inteligente. As mídias digitais trazem ao empresário cada vez mais informações e como usá-las para vender, ser mais assertivo em suas promoções e entregas. É o momento de aprender a gerenciar o tempo a seu favor.


4. Sobre pequenos negócios, eles sofrem mais com as mudanças político-econômicas? Existe alguma forma de minimizar os impactos negativos causados por essas mudanças?


(O): Sim. Aqueles que estão na ponta da linha de consumo, vamos dizer assim, são os primeiros a sofrer o impacto em um movimento de recessão econômica. A partir desse ponto negativo, temos um lado mais estratégico do processo, o empresário. Ele deve pensar em estratégias de contornar situações de crise, mesmo em momentos muito bons, apesar de não ser isso que vemos na prática. 


Geralmente o planejamento é uma iniciativa muito pouco adotada hoje nas pequenas empresas, mas é fundamental, principalmente quando pensamos em momentos de incerteza como os atuais. O mais difícil, depois de criar, é manter o planejamento. Gosto de comparar o planejamento aos planos que fazemos à lápis - vai que né!? O planejamento deve ser sempre revisado, para atender as estratégias que a empresa tem de crescimento. 


Aqui acrescento um ponto que o pequeno varejo faz muito pouco, que é criar sua estratégia de expansão, de crescimento. O que normalmente ocorre é o contrário, uma falta de planejamento. Muitos empresários encaram seu próprio negócio apenas como uma rentabilidade, por sobrevivência.


Independentemente de possuir um bom retorno, a ausência de planejamento (do que pode ocorrer daqui a cinco ou dez anos) é um erro. Ela potencializa os impactos das adversidades econômicas e esse despreparo, justamente porque não há uma visão criada de longo prazo, de crescimento.


Na minha opinião, a primeira coisa que uma empresa precisa é adotar o planejamento estratégico como parte da cultura organizacional; criar um bom planejamento de crescimento para o negócio, possibilitando alternativas. As pequenas empresas têm uma vantagem muito grande de adaptação, quando estão preparadas para enfrentar mudanças.


Então aqui fica a minha sugestão: Você, que é empresário, você que tem uma pequena empresa, não toque o seu negócio para sobrevivência. Gerencie o seu negócio buscando evolução e crescimento. Nós temos que saber pensar em crescimento e evolução. E evitar esse pensamento de mera sobrevivência. 


Esse é o grande desafio. A reeducação da mentalidade empreendedora, para entender que planejamento é fundamental. Ele serve para criar e estabelecer metas na empresa e, a partir das metas também criar novas alternativas frente às diversidades que vão aparecer.


5. As mudanças político econômicas impactam muito o desenvolvimento dos negócios. Fale mais sobre a importância do mercado de varejo para a economia.


(O): Estamos acompanhando um movimento de mudanças econômicas e tecnológicas. Por consequência, houve uma grande mudança também no aspecto da existência do varejo. Veja, o que eu quero dizer aqui é que devemos analisar o varejo de acordo com seu momento histórico. Antigamente, esse mercado facilitava que o consumidor final adquirisse um produto, era mais um processo dentro da cadeia de produção até o consumidor final. O varejo se caracterizava por ser parte fundamental da engrenagem de consumo. 


Gradativamente percebemos uma transformação nessa cadeia. Esse mercado está reconfigurando o processo de entregar soluções ao consumidor, porque o produto em si é percebido de formas diferentes por cada cliente. Hoje a própria indústria começa a criar canais de acesso para que o consumidor final possa comprar produtos diretamente da fábrica, por exemplo.


Então o varejo começa a entender que, além de fornecer produto, ele deve ir além e fornecer não só produtos, mas serviços e informação, ou seja, processos que agreguem valor e tragam significado à sua existência. No mercado brasileiro, o varejo é fundamental para a configuração da economia interna. Ele se estende dentro desse universo, no mercado, nas pequenas empresas, gerando emprego, distribuindo renda e, porque não, tecnologia.


A digitalização tem forçado esses modelos de negócios a serem repensados. 


Acredito que daqui em diante essa visão do varejo vai mudar muito. Entregando produtos e fornecendo serviços, para facilitar ainda mais o acesso a novos recursos, pelo seu próprio propósito de existência. Espero ter ajudado a agregar ainda mais valor aos pequenos e médios empresários que contam com o Sebrae PR para crescer.


Para ter acesso a mais conteúdos como esse, inscreva-se na comunidade de varejo.


Um abraço, 

Lucas Hahn.


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Lucas Hahn
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