

Mas será que é realmente um bom sinal?
Quando o volume de mercadorias cresce mais rápido que as vendas, o que parece um ativo pode virar um peso para o caixa.
E o problema começa quando o dinheiro que está nas prateleiras faz falta no banco.
O estoque inchado representa dinheiro parado.
E dinheiro parado significa menos recurso disponível para pagar o fornecedor na data certa.
Se a empresa não vende e não recebe a tempo, o capital de giro se desequilibra.
O estoque deixa de ser proteção e passa a ser risco.
É preciso equilibrar.
Uma forma simples de avaliar é calcular o estoque médio em relação às vendas mensais.
Por exemplo: se o valor de estoque equivale a três vezes o faturamento do mês, isso indica excesso. O negócio está “estocando caixa”.
Em muitos segmentos do varejo, o ideal é manter um nível que cubra de 30 a 60 dias de vendas, dependendo do prazo de reposição e da sazonalidade.
Equilibrar esses três elementos é como manter um balé sincronizado: se um passo sai do ritmo, todo o fluxo financeiro se desajusta.
1. Quando compra demais, o dinheiro some do caixa e fica parado nas prateleiras.
Análise financeira:
. O lucro fica distorcido para menos em razão de um custo do estoque aumentado e
. Aumenta o nível de endividamento da empresa que compromete o cumprimento de outras obrigações.
Quando compra de menos, perde vendas e compromete o faturamento.
Análise Financeira:
. O lucro fica distorcido para mais.
. Quando há pouca compra, o custo do estoque é reduzido temporariamente, o que faz o resultado parecer melhor do que realmente é.
. A margem bruta sobe artificialmente, mas isso não significa que o negócio está mais rentável, apenas que o estoque está sendo consumido sem reposição.
Se essa situação continuar, logo faltarão produtos para vender, e o faturamento cairá.
2. O capital de giro fica pressionado do lado das receitas.
Com menos produtos disponíveis, as vendas diminuem e o ciclo de caixa se alonga, porque há menos entrada de dinheiro.
A empresa até paga menos fornecedores no curto prazo, mas em pouco tempo começa a ter dificuldade para gerar recursos próprios para as despesas fixas.
3. A saúde financeira perde ritmo.
O caixa pode até mostrar saldo positivo momentaneamente, mas isso é ilusório.
Sem giro de estoque, o negócio perde competitividade, as receitas recuam e, com o tempo, a margem total diminui por falta de volume de vendas.
Quando vende, mas não recebe a tempo, o capital de giro trava e o negócio precisa recorrer a crédito caro.
Nesse caso, negociar os prazos de pagamentos e de recebimentos é crucial para o negócio. Quanto menor for a lacuna entre pagar e receber, menor será o nível de endividamento do negócio.
O segredo está em alinhar o tempo do dinheiro que sai com o tempo do dinheiro que entra.
Se o fornecedor concede 30 dias para pagar, o ideal é vender antes desse prazo e receber à vista ou com prazo menor.
Isso garante que o ciclo financeiro se feche sem precisar recorrer a empréstimos ou antecipações.
-> Outra dica é planejar as compras com base no histórico de vendas e na previsão de demanda, e não apenas nas promoções dos fornecedores.
Uma compra vantajosa só é realmente boa se o produto gira rápido e mantém a margem.
Empresas saudáveis transformam estoque em dinheiro e não o contrário.
Elas compram com propósito, vendem com margem e mantêm o capital de giro girando. É assim que o negócio ganha fôlego para crescer com segurança.
Com a chegada do IBS e da CBS, a forma de apurar créditos sobre estoques vai mudar, uma vez que a compensação destes não acontecerá no registro da mercadoria no estoque, mas, sim, quando o fornecedor pagar o tributo de suas vendas. Isso gerará um impacto na operação do cliente e que exigirá:
1. Mapeamento de todos os créditos e respectivas notas fiscais de entrada e
2. Planejamento do capital de giro para pagamento dos tributos, considerando o aumento do valor da guia de recolhimento pela falta de liberação temporária dos créditos;
3. Renegociação de prazos de pagamento de prazos a fornecedores visando evitar lacunas entre recebimento das vendas, superior ao prazo de pagamento dos boletos;
4. Possível redefinição de rços e margens devido ao aumento de custo de comercialização, ainda que temporário, provocado pelo bloqueio dos créditos.
O fato é: quem não ajustar a gestão pode sentir o impacto direto no capital de giro.
Manter um estoque saudável é manter o negócio respirando. Mais do que números, estoque saudável é equilíbrio entre liquidez, prazo e margem. É a base de uma gestão financeira inteligente.
O equilíbrio entre comprar demais e comprar de menos é o que mantém o negócio saudável. E na sua empresa, qual desses extremos aparece com mais frequência?



