Logo Comunidade Sebrae
Home
bedtime
Imagen da logo do Sebrae
icone menu de opções
Iníciokeyboard_arrow_rightNovos Negócioskeyboard_arrow_rightArtigos

Gestão de Riscos & Pandemia: Alguns Ensinamentos

avatar LUIZ AUGUSTO BUREI
Luiz Augusto Bureifavorite_outline Seguir perfil
fixo
thumb_up_alt
Gestão de Riscos & Pandemia: Alguns Ensinamentos
Criado em 16 OUT. 2020
text_decreaseformat_color_texttext_increase

Hoje vamos falar sobre Gestão de riscos e os ensinamentos que podem ser extraídos deste período turbulento ocasionado pela pandemia do COVID-19.

As empresas enfrentam diariamente influências de fatores internos e externos ao seu ambiente. Estes fatores exercem influência direta no sistema organizacional e na visão holística da empresa. Impactam também, na rentabilidade e lucratividade da empresa interferindo significativamente no alcance das metas e objetivos. Em níveis mais elevados, esse caos regado de incertezas pode ter como consequência a falência empresarial. 

A este cenário de incertezas, somou-se no ano de 2020 a pandemia, agravando ainda mais a interferência de fatores externos na continuidade da empresa. Segundo IBGE (2020), até junho 2020, 4 em cada 10 empresas que fecharam as portas, foram em decorrência a fatores relacionados a pandemia.

As instabilidades foram sentidas de várias maneiras: financeiro-econômico, emocional e comportamental, mudança de modelo de compra e venda, alterações nos padrões de relacionamentos e comunicações, enfim...tantas mudanças... Os sentimentos ficaram misturados e conturbados. Cenários até então rotineiros passaram a expressar insegurança e medo.

As ameaças externas se intensificaram, fragilizando ainda mais os pontos fracos já existentes, e por vezes, fazendo emergir outros nunca antes observados. A gestão administrativa precisou ser remodelada de forma urgente, fazendo-se necessário revisitar conceitos e modelos. A impressão que se tem, é que de repente, fez-se necessário reconstruir tudo, desde preceitos básicos até planejamentos. Fez-se necessário remodelar estratégias. Repensar o todo

Ocorre que, esse amadurecimento em identificar a necessidade da Gestão de Risco pode não surgir com facilidade para a maioria dos indivíduos e empresas. O diagnóstico realizado pela pesquisa IBGE (2020) citada anteriormente, evidencia a falta de uma visão e preparo às ameaças do ambiente externo, que se conectam também, aos principais fatores diagnosticados pelo Sebrae (2014) no fechamento de empresa nos primeiros anos (falta de gestão, planejamento e de comportamento empreendedor).

Para muitos, talvez para a grande maioria, o termo gestão pode remeter à burocracia, a perda de tempo com controle criterioso, cobrança, conferindo à gestão um significado complexo e com negatividade. Significar o termo gestão de forma não positiva, pode comprometer num todo a existência e a continuidade da empresa e a realização pessoal. E quando o termo gestão vem acompanhado do risco, o peso parece ficar ainda maior.

Dedicar o tempo escasso e corrido do presente para gerir riscos decorrentes de incertezas na realização de objetivos futuro, parece se constituir numa pauta um tanto difícil de administrar A evidência deste fica notória no artigo O tempo como aliado para uma vida equilibrada e produtiva.

Realiza-se a gestão de risco no cotidiano conforme surgem os acontecimentos, as emergências mas não ocorre reflexão sobre o processo pensando em mitigar isso no futuro. Trabalha-se focado na solução, por vezes somente apagando incêndio, e pouco na prevenção. Gerir os riscos é trabalhar estrategicamente, de maneira preventiva aos desafios que podem surgir. 

Gestão de riscos, ou risk management, é o conjunto de práticas que visam a identificar incertezas e antecipar desafios nas organizações (SBCOACHING, 2019).

Para que isso seja percebido como necessário, precisa ocorrer um processo de mudanças comportamentais e de atitudes. Faz-se necessário desenvolver e praticar habilidades conectadas à inteligência financeira, comportamental e emocional, projetando um modelo mental criativo e inovador. Um mindset vencedor, conectado no aqui e agora mas que realiza projeções estratégicas e de maneira consciente para o futuro. Em convergência a essa abordagem, o artigo Como posso inovar na condução de minha vida?, contribui na construção de soluções viáveis.

Os principais desafios para a sua implementação efetiva estão na cultura e valores da organização (51%), a visão de que a gestão de riscos é um tema obrigatório e não estratégico (46%) e a falta de conhecimentos chave sobre sua importância e o valor que aporta (46%) (MARSH, 2018).

Esse processo de repensar o todo, traz a consciência a necessidade de realizar a gestão do aqui e agora e também dos desafios inerentes ao futuro. Conhecer o ambiente externo e suas ameaças se revelou primordial na redução de insegurança e medo. Projetar as estratégias de contingência de maneira clara e objetiva parece ter se constituído um ingrediente indispensável ao ambiente empresarial, mensurando aquilo que é conveniente, coerente e adequado.

Com base numa pesquisa exploratória realizada por Fernandes e Benetti (2014), em pequenas e micro empresas da região Sul do Brasil, compartilhamos agora, um conjunto de requisitos. O conjunto de requisitos proposto pelos autores, é composto por cinco tipos de risco: operacional, estratégico, financeiro, riscos na gestão do conhecimento e risco legal e de conformidade. As etapas sugeridas, apresentam validação com alto nível de aprovação pelos empresários, conforme aplicabilidade realizada pelos autores.

Tendo como principais características a simplicidade e a objetividade, as etapas do conjunto de requisitos sugeridas são:

1ª -  Identificação do Risco: O empreendedor é convidado a refletir e identificar em cada um dos tipos de risco existentes nesta etapa, em qual situação a empresa pode apresentar a possibilidade de obter perda. Esta etapa utiliza como base os normativos AS/NZS 4360 (2004) e ISO 31000 (2010).

2ª - Avaliação do Risco: O empreendedor deve responder três requisitos chaves em cada uma das situações em que identificou a possibilidade de perda. De posse do número de requisitos que foram respondidos com Sim e com Não para cada uma das situações, deve avaliar os resultados se o risco que a empresa possui precisa ser tratado ou não. Esta etapa apresenta como base a norma AS/NZS 4360 (2004).

3ª - Tratamento do Risco: O empreendedor deve nesta etapa efetuar o tratamento do risco, o qual pode ser efetuado dentro de uma lista de orientações para evitar, diminuir ou controlar o risco. Esta, utilizou como base a norma AS/NZS 4360 (2004) e o COSO (2004).

O processo de gestão de risco busca identificar com base no diagnóstico de cada situação de risco do presente, a possibilidade/chances de isso ocorrer ou não no futuro. A resposta aos questionamentos serão os balizadores que identificam a probabilidade desse evento ocorrer ou não no futuro e a necessidade de uma tratativa.

No III Benchmark de Gestão de Riscos da América Latina (2018) descreve-se que, 40% das organizações na América Latina contam com um nível de maturidade médio em gestão de riscos, mas com um claro e determinado avanço na busca por resiliência organizacional. Brasil e México são os países mais avançados.

Este estudo traz ainda a maturidade deste tema por setor, sendo que, as Instituições Financeiras, Mineração e Energia são os que mais estão se beneficiando ao integrar a gestão de riscos em sua estratégia de negócios. 

Evidencia-se dessa forma que, no cenário anterior à pandemia, as grandes corporações já se beneficiavam de ferramentas pró gestão de riscos. Esses, são comportamentos que diferenciam o empreendedor com mindset vencedor dos demais. E isso é imprescindível em cenários adversos como este que presenciamos.

Por acreditar nisso, entendemos que, o micro e pequeno empresário também podem usufruir dessa ferramenta e potencializar seus resultados. Um dos grandes aprendizados que julgamos ter ocorrido a partir da pandemia pode ser de que o sucesso no mundo dos negócios está em prever os riscos do ambiente interno e externo e, a partir deles, criar estratégias imediata para reduzir, eliminar as ameaças de nossas empresas. 

Seja proativo: antecipe-se ao caos criando soluções inteligentes, inéditas e eficazes a partir da gestão dos riscos.

Desfrute dos resultados de sua pró-atividade!!


Referências bibliográficas e artigos anteriores:

 

avatar LUIZ AUGUSTO BUREI
Luiz Augusto Burei
favorite_outline Seguir Perfil
capa Novos Negócios
Novos Negócios
people 5232 participantes
Um espaço aberto para trocas de experiências sobre novos negócios. Se você já tem uma ideia de negócio, ou ainda não sabe por onde começar, este é o lugar certo! Aqui, você encontra conteúdos para te ajudar a ter sucesso nesta jornada empreendedora ¿¿
fixo
Em alta
Sebrae Em Dados - Mercado de Produtos Naturais no Brasil
16 ago. 2022Sebrae Em Dados - Mercado de Produtos Naturais no Brasil
Sebrae em Dados - Salões de Beleza
15 out. 2022Sebrae em Dados - Salões de Beleza
Para ver o conteúdo completo, bastase cadastrar, é gratis 😉
Já possui uma conta?