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Como precificar serviços recorrentes sem queimar margem

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Como precificar serviços recorrentes sem queimar margem
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Contextualização e perguntas de interesse

Você já cobrou uma mensalidade, vendeu mais e, mesmo assim, sobrou menos?

Como definir um preço competitivo e justo que respeite sua margem mês após mês?

2) Introdução

Serviços recorrentes ganharam espaço: software por assinatura, manutenção, marketing mensalista, contabilidade, consultorias.

A recorrência promete previsibilidade. O risco é tratar preço como número solto e ignorar que cada assinatura carrega horas, insumos, impostos e imprevistos.

Na minha atuação como CFO as a Service (CFOaaS), hoje em Goiânia e com passagens por São Paulo, França e Canadá, vi um padrão: o problema quase nunca é o número, e sim a lógica por trás dele.

Neste texto, proponho um caminho prático para precificar sem queimar margem. Vamos sair do “achismo” e estruturar preço, contrato e rotina de revisão.

3) Desenvolvimento

3.1 Mapeie o custo total do ciclo

Preço bom nasce de custo mapeado.


Em serviços, o custo é principalmente gente e tempo. Liste o escopo do plano e traduza em horas por função (analista, coordenador, especialista).


Multiplique pelas taxas internas que incluem salário, encargos, benefícios, férias, décimo terceiro, ferramentas e supervisão. Só dividir o salário por 160 horas subestima o custo real.


Inclua custos variáveis: licenças, transporte, insumos, tarifas. Aplique um fator de ineficiência (10% a 15%) para reuniões extras e retrabalhos. O mundo não é perfeito.

3.2 Defina a margem alvo e chegue ao preço

Com o custo total, escolha a margem de contribuição desejada. Em recorrência, 40% a 60% costuma ser razoável.

Use a fórmula:

Preço = Custo / (1 - Margem alvo)

Exemplo: custo 1.000 e margem alvo 50% preço mínimo 2.000.

Não confunda margem de contribuição com lucro líquido. A contribuição paga fixos e impostos antes de virar lucro.

3.3 Proteja a margem no contrato

Serviço recorrente vive de escopo e tempo. Reflita isso nas cláusulas:

  1. Reajuste anual automático. Sem reajuste, a inflação corrói a margem.

  2. Franquia de horas ou banco de horas. O que exceder vira hora adicional ou pacote complementar.

  3. Política de urgência. Fora de horário ou com prazos curtos, preço diferenciado.

  4. Escalas de preço por faixas. Ganhos de escala sem travar a rentabilidade.

Cláusulas evitam que a margem escorra por “favores” que viram hábito.

3.4 Simule planos e alinhe escopo ao mercado

Monte três planos: essencial, padrão e avançado. Para cada um, detalhe horas, senioridade, entregas e limites.

Simule preços que garantam a margem alvo. Compare com a realidade do seu segmento. Se ficar alto demais, ajuste escopo ou operações antes de “culpar o mercado”.

Planos claros guiam a escolha do cliente e dão segurança à equipe comercial.

3.5 Cuide do prazo de recebimento e da inadimplência

Margem não é só preço menos custo. Se você recebe em 45 dias e paga time em 30, o caixa sofre.

Negocie meios que reduzam prazo médio: débito recorrente, antecipação com contrapartida de escopo, descontos por pagamento adiantado.

Tenha política de cobrança respeitosa e firme. Inadimplência alta mata previsibilidade.

3.6 Revise números mensalmente e preço trimestralmente

A realidade muda: custos sobem, escopos crescem, produtividade melhora.

Crie rotina mensal de análise de margem por contrato. Trimestralmente, revise portfólio e preços.


Na prática, essa disciplina corrige rotas, alinha expectativas e diminui sobrecarga do time. Vi ganhos relevantes só por formalizar essa cadência.


Se precisar de ajuda com algum desses itens, não hesite em falar comigo.

4) Conclusão

Preço não é palpite. É construção: custo mapeado, margem clara, contrato bem desenhado, recebimento alinhado e revisão periódica.


Quando a lógica está certa, a negociação fica honesta, o cliente entende o valor e a empresa respira melhor.

Gosto de pensar preço como acordo de sustentabilidade: o cliente paga por valor percebido, você entrega o combinado e o negócio segue vivo, investindo e formando gente.

5) Como está a sua precificação hoje?

Qual parte da sua precificação é mais frágil hoje: custo total, cláusulas contratuais ou rotina de revisão?

Que cláusula você incluiria para blindar a margem sem perder empatia com o cliente?

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Maxmilliano Reis
Olá, sou Maxmilliano Reis, CFO as a Service para Pequenas e Médias Empresas e Startups. Tenho longa carreira enquanto executivo financeiro de empresas multinacionais (Ernst & Young e Lallemand) e empresas de capital aberto (AgroGalaxy). Sou Assessoria Financeiro Estratégico e posso ajudar com finanças empresariais, fluxo de caixa, crédito e cobrança, gestão de processos e outros. favorite_outline Seguir Perfil
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