
CRISE NA RELACAO TRABALHISTA
Nos últimos 30 anos, pelo menos, o desemprego foi uma enorme preocupação das pessoas. Com inflação, com juros, com o dólar, com a instabilidade política, com as crises internacionais, somente ter renda garantida poderia dar condições de continuar “no jogo”.
Pensando nisso, a busca pelo diploma universitário parecia um norte seguro. Hoje já não parece tanto assim.
Depois, a liberdade de trabalhar por demanda (Uber, Ifood etc.), parecia o modelo ideal, por supostamente aumentar a possibilidade de renda. Hoje já não parece assim.
Medir a taxa de desemprego era o melhor indicador para orientar a política econômica, pois refletia o “humor” do eleitor e apoiaria a direção tomada. O desemprego é calculado pelo número de pessoas “que procuram” emprego e não consegue. Hoje a geração Z, está desistindo de procurar emprego, assim parte da queda da taxa de desemprego não corresponde ao menor número de pessoas sem carteira assinada e sim pelo menor número de pessoas procurando emprego...
Por traz de tudo isso se mantem o cerne da questao, estamos em um momento de CRISE NA RELACAO TRABALHISTA. O número de vagas abertas só aumenta, o giro de funcionários tambem. As empresas têm dificuldade de preencher as vagas e as pessoas continuam sem alternativa para gerar renda.
QUEM ESTA SOFRENDO MAIS
Os setores que vejo com mais preocupação são o varejo e os pequenos produtores. Dentro do varejo temos casos críticos como os supermercados e os Shoppings.
De um lado as pessoas alegam baixos salários, grande compromisso de tempo (deslocamento de ida, volta e carga horaria), trabalhos repetidos (supermercados) ou grande ociosidade (varejo de rua).
A geração Z é a principal fatia da oferta de mão de obra, e contando com a sustentação da família, iniciou um movimento de oposição à forma que a relação trabalhista historicamente se manteve.
Olhando o caso do comercio de rua, que já trava uma enorme luta com grandes atacados e com os market places, que convive com custos crescentes de aluguel e de juros, não consegue manter as contas e o fechamento das lojas é uma ameaça real. O varejo de rua é o principal empregador do país.
Resumindo o problema, a geração Z busca um salário de R$2500,00 e as lojas conseguem pagar somente R$1600,00.
Difícil.
O QUE SE PODE FAZER
Para simular alternativas e desembolar esse nó, fiquei imaginando a estória do “ovo e da galinha”, para saber onde buscar alternativas.
Minha conclusão, olhando especificamente para o seguimento do varejo de rua, foi de que precisamos de alguma forma melhorar o faturamento e a lucratividade. Isso permitiria o investimento nos negocios, e entre eles, o melhor pagamento dos funcionários. O investimento tambem permitiria novos modelos de negócio, o que tornaria as atividades mais interessantes, e assim, reteria e atrairia mais os funcionários.
Alguém poderia dizer que essa conclusão parece boa, mas nos coloca na mesma dificuldade da situação anterior... Concordo, mas vejo que há mais campo a explorar nesse impasse.
Devemos agregar o conhecimento de varejo e negocios, principalmente o desenvolvido por franquias e por grandes fornecedores, que tem seus programas de fidelização de pequenos clientes. Devemos juntar a isso as entidades de fomento ao empreendedorismo (Sebrae, Senac, Assoc. Comercial, Sindicatos etc.) e criar modelos para sugerir e erros a evitar, na forma atual de gestao do marketing.
Mais que isso, criar ferramentas para tornar fácil a implementação desses novos modelos.
Posso ver algumas ferramentas que certamente estariam nesse pacote:
· Cash Back
· Collab
· Venda multicanal
· Indicação de negocios e pool de lojas
· Para o varejo de rua em pequenas e medias cidade – tornar o funcionário um “sacoleiro da loja”, em dias de menor movimento
· Marketing digital
· Vantagens para os clientes do bairro.
· Focar no recrutamento no bairro (diminuir deslocamento dos funcionários)
· Contratação da melhor idade
· Criar classificação e grupos de clientes e atribui-los a equipe (criar desafios pessoais e reconhecer resultados)
· Tornar-se um varejo multisetorial (negocio de varejo e negocio de servico)
· Trabalhar com estoque de fornecedores
· Fazer turnos menores
· Mais momentos de intercambio de negocios entre o varejo
Como disse, imagino que esse caminho levaria a melhoria, principalmente no comercio de balcão. Isso daria sustentabilidade econômica e permitiria pagar melhor os funcionários. Tambem permitiria criar um ambiente de trabalho mais motivador.
Outras ferramentas podem ser agregadas a esse pacote.
Talvez você possa ajudar a promover essa reflexão!


